Fraude em alimentos: Muito além de danos ao bolso

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O custo da fraude para as indústrias é da ordem dos bilhões de dólares anuais. Isto inclui, por exemplo, todo o prejuízo financeiro que as empresas e o consumidor têm, as despesas com tratamento médico, processos judiciais e outros encargos correlacionados, a necessidade de implementar mais análises e mais controles e desenvolvimento de embalagens mais robustas e anti-violação.

A fraude em alimentos é prática bastante antiga. De acordo com o site “Food Watch”, casos de fraudes aumentaram muito no século 19 na Inglaterra, impulsionadas pela urbanização, industrialização e crescimento populacional. Isto fez com que a distância entre o produtor do alimento e o consumidor fosse cada vez maior, e o mercado mais anônimo, facilitando a fraude. Infelizmente, os casos de fraude continuam acontecendo. O grande problema da fraude não é só o prejuízo econômico causado ao consumidor, mas sim, a integridade e a saúde humana que podem ser seriamente afetadas. E é por isso que esquemas de certificação em segurança de alimentos como a FSSC 22000, que já apresentamos neste link (http://www.portalconteudointeligente.com.br/seguranca-de-alimentos/esquema-fssc-22000-certificacao-de-sistema-de-gestao-da-seguranca-de-alimentos-visao-geral.html), incluíram em seus requisitos a necessidade de implementar medidas para prevenir a fraude.

Mas o que é a fraude? Fraude é um ato intencional de má-fé, engano, burla, falsificação de marcas, transformação, alteração ou adulteração de produtos industriais, ou mesmo ocultação da qualidade viciada, com o objetivo de obter lucro ilícito. Isto significa que o fraudador busca vantagem econômica nos atos cometidos. O fraudador tipicamente não deseja ser descoberto, então tenta trabalhar de maneira “discreta”, e a verdadeira intenção não é causar danos físicos ao consumidor. No entanto, certos tipos de fraude, como a que já vimos do leite adicionado de formol e soda cáustica (investigada pela Polícia Federal na Operação Leite Compen$ado, iniciada em 2013), podem trazer sérias consequências à saúde. Uma simples adulteração em um rótulo pode deixar de informar adequadamente a presença de um alergênico no produto, gerando potencial agravo à saúde de um alérgico.

De acordo com a revista Forbes, os alimentos mais comumente implicados em casos de fraude no mundo são: azeite de oliva, peixe e frutos do mar, alimentos orgânicos, leite e derivados, cereais/grãos, mel, café, chá, especiarias/temperos e ervas (ex. orégano, açafrão, páprica), vinhos e outras bebidas alcoólicas, alguns sucos de frutas e carnes. Normalmente são alimentos com um valor agregado relativamente alto, que podem ser substituídos, diluídos, disfarçados ou modificados para o lucro do fraudador. Agora que estamos chegando à Páscoa, é bom estar atento à qualidade do peixe comprado e à procedência. Há locais que vendem merluza pelo preço do bacalhau, e o consumidor pensa que está comprando efetivamente o bacalhau.

A base de dados de fraudes em alimentos da Farmacopeia Americana (USP) estima que aproximadamente 10% dos alimentos consumidos tenham sofrido algum tipo de fraude, e há mais de 2 mil casos de fraude registrados.

Preocupada com a escalada da fraude dos alimentos e com os riscos associados à economia e saúde da população, a Comissão Europeia lançou o Centro de Conhecimento sobre a Fraude Alimentar e a Qualidade dos Alimentos, gerenciado pelo Centro Comum de Investigação. De acordo com a revista portuguesa Visão, em artigo deste mês de março/2018 do jornalista Luís Ribeiro, “o Centro será constituído por uma rede de peritos que dará apoio técnico aos responsáveis políticos da União Europeia (UE) e às autoridades de cada país, através do compartilhamento de estudos científicos relacionados com a fraude dos alimentos. Entre as suas competências, encontra-se a coordenação das atividades de fiscalização do mercado (principalmente a composição de alimentos da mesma marca em países diferentes da UE) e a possibilidade de acionar um sistema de alerta precoce para a fraude em nível europeu. Esta entidade vai, ainda, produzir bases de dados, boletins informativos e relatórios, para serem disponibilizados para o público em geral”.

O Esquema FSSC 22000 – Sistema de Segurança de Alimentos, em sua versão 4.1 publicada em julho/2017 e vigente desde 1º de janeiro de 2018, no tema de prevenção da fraude em alimentos, requer que a organização implemente um procedimento documentado para a avaliação das vulnerabilidades à fraude, que identifique potenciais vulnerabilidades, avaliando à suscetibilidade dos produtos de sofrerem atos de fraude, desenvolva e implemente medidas de controle e priorize-as contra as vulnerabilidades identificadas, com o objetivo de reduzir ou eliminar as vulnerabilidades identificadas.

O custo da fraude para as indústrias é da ordem dos bilhões de dólares anuais. Isto inclui, por exemplo, todo o prejuízo financeiro que as empresas e o consumidor têm, as despesas com tratamento médico, processos judiciais e outros encargos correlacionados, a necessidade de implementar mais análises e mais controles e desenvolvimento de embalagens mais robustas e anti-violação. A prevenção da fraude é, portanto, cada vez mais urgente. Como este assunto está sendo tratado em sua empresa? Continue acompanhando o Portal Conteúdo Inteligente para mais informações para o seu sistema de gestão.

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Camila Lobo Miret

Formada em Engenharia de Alimentos pela UNICAMP em 2003 e Mestre em Tecnologia Alimentar/Qualidade pela Universidade Nova de Lisboa em 2007, é proprietária da Especia Consultoria em Qualidade, empresa fundada em 2012 e especializada em consultoria e treinamento na área de segurança de alimentos e qualidade para a indústria alimentícia e de embalagens, com foco nas normas FSSC 22000, ISO 22000, ISO 9001, APPCC e BPF. Possui experiência em organismos de certificação reconhecidos, realizando trabalhos como auditora de certificação e instrutora de treinamentos em FSSC 22000, ISO 22000 e ISO 9001, e experiência na área de qualidade e segurança de alimentos em indústrias de massas secas e de produtos derivados de tomate.

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