Responsabilidade Social nas empresas

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Para as empresas, a responsabilidade social pode ser vista como uma estratégia a mais para manter ou aumentar sua rentabilidade e potencializar o seu desenvolvimento.

Breve histórico

A ideia de responsabilidade social empresarial, iniciou através de Henry Fordy, por volta de 1916, quando este decide usar o lucro obtido na capacitação e aumento dos salários dos funcionários.

O primeiro Balanço Social foi realizado na França, em 1972 e em 1977, foi aprovada lei que torna obrigatória a realização de balanços sociais periódicos para todas as empresas com mais de 700 funcionários, posteriormente alterada para abarcar empresas com mais de 300 empregados. Em Portugal, 1985, também foi promulgada a lei que torna obrigatória a apresentação do balanço social por empresas com mais de100 empregados.

Em 1992, com a publicação da Agenda 21, durante a 2ª Conferência Mundial do Meio Ambiente – a ECO 92 – no Rio de Janeiro, deu um novo impulso às ações de empresas nos campos social e ambiental ao integrar o princípio do desenvolvimento sustentável –isto é, a definição de que desenvolvimento econômico, social e meio ambiente são interdependentes à gestão de empresas. A esse respeito, posteriormente, foi dado mais um passo com a criação da ISO14000, certificado que atesta a gestão ambiental de empresas.

Em 1997 é criado outro padrão de certificação: o SA8000, que visa aprimorar as condições de trabalho sendo fruto do movimento internacional pela adoção e uniformização dos relatórios sócio-ambientais publicados pelas empresas – o Global Reporting Initiative (GRI) – em parceria com o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP). A SA8000 baseia-se em normas internacionais de direitos humanos e nas convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em 1999, é criada, pelo Institute of Social and Ethical Accountability, nova norma, a AA1000, que engloba o processo de levantamento de informações, auditoria e relato social e ético, com enfoque nas partes interessadas. Essa norma passou a ser a ferramenta mais abrangente para a gestão da responsabilidade social corporativa.

A consideração de fatores econômicos, ambientais e sociais nas estratégias de negócios das empresas se reflete também na criação, em 1999, do Dow Jones Sustainability Index (DJSI). Esse Índice é composto por ações de 315 empresas em todo o mundo, cujo patrimônio líquido corresponde a aproximadamente 5,6 trilhões de dólares.

Outra importante iniciativa para ampliação da participação das empresas na resolução de problemas socioambientais foi o lançamento, em 2000, do Global Compact (Pacto Global), pelas Nações Unidas, visando promover e implementar nove princípios nas áreas de direitos humanos, trabalho e meio ambiente. Em 2001, a Comissão Europeia lançou o “Livro Verde” e, um ano depois, o chamado “Livro Branco” – ambos sobre o tema da responsabilidade social – e incentivou as empresas cotadas em Bolsa a publicarem os seus relatórios anuais. Também estimulou que, em todos os Estados membros, sejam desenvolvidos critérios comuns para a elaboração, pelas empresas, de balanços sociais.
O Livro Branco define a responsabilidade social empresarial como “um comportamento que as empresas adotam
voluntariamente e para além de prescrições legais. O Livro também propõe estratégias de ação que vão desde intensificar a divulgação sobre o impacto positivo da responsabilidade social empresarial nas empresas e nos países, em especial nos chamados países em desenvolvimento, até facilitar a convergência e transparência das práticas e dos instrumentos de responsabilidade social empresarial. Alguns dos desafios propostos são: harmonizar e padronizar os relatórios sociais apresentados pelas empresas e adotar a rotulagem de produtos e serviços que sejam social e ambientalmente responsáveis.

Nas empresas

Este assunto difundiu-se, tornando-se uma ferramenta estratégica para as empresas que passaram a perceber a organização, como um sistema aberto que interage constantemente com o meio que está inserida, sendo inclusive responsável pelas atitudes e consequências causadas. Com a percepção de que a responsabilidade social empresarial é capaz de agregar vantagem competitiva, mais do que outras formas de gerir, ela ganhou força de forma acelerada passando a ser utilizada no cotidiano empresarial.

O crescente aumento da complexidade dos negócios, o avanço de novas tecnologias, o incremento da produtividade levou a um aumento significativo da competitividade entre as empresas e, desta forma, elas tendem a investir mais em processos de gestão de forma a obter diferenciais competitivos. Para as empresas, a responsabilidade social pode ser vista como uma estratégia a mais para manter ou aumentar sua rentabilidade e potencializar o seu desenvolvimento.

Dessa forma alguns do itens citados no histórico são implantados nas empresas, como o sistema de gestão da norma SA8000 e relatórios GRI, afim de alcançar objetivos propostos ao tema.

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Salete Regina Vicentini

Bióloga, formada pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie em 1999, é Especialista em Educação Ambiental pela USP em 2003 e possui MBA Empresarial com ênfase em Gestão Ambiental na FGV (2009). É proprietária da iVerdi assessoria e treinamento desde 2010. Possui experiência na Elaboração e Gestão de Projetos Sócio Ambientais; educação em ensino superior, terceiro setor, corporativo e formação de pessoas. Além disso, tem experiência na implanatação, instrução e auditora (1a, 2a e 3a parte) em Sistema de Gestão de Qualidade (ISO 9001), Ambiental (ISO 14001), Saúde e Segurança (OHSAS 18000 e ISO45001) e Responsabilidade Social (SA 8000). É consultora ambiental no levantamento e diagnóstico de recursos naturais, licenciamento ambiental e educação ambiental.

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